Por: Júlio César
Ao longo das Sagradas Escrituras percebemos o amor de Deus pelos “pobres”. Já no Antigo Testamento Deus demonstra uma atenção especial aos fragilizados e marginalizados. Este amor se revela plenamente em Jesus Cristo, que anunciou o Reino dos Céus aos pequeninos e assumiu Ele mesmo a pobreza humana.
A Dilexi Te, documento promulgado pelo Papa Leão XIV, deixa isso claro: “Ele mesmo se fez pobre, nasceu segundo a carne como nós e o reconhecemos na pequenez de uma criança recostada em uma manjedoura e na extrema humilhação da cruz, onde partilhou a nossa radical pobreza, que é a morte” (LEÃO XIV, DILEXI TE, p. 17).
Na pequenez daquela manjedoura reconhecemos o Rei do Universo, mas não somente naquela simples circunstância devemos reconhecê-lo. Devemos vê-lo também nos nossos irmãos, sobretudo nos mais pequeninos: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.” (cf. Mt 25, 40).
Jesus não fala para cuidarmos somente daqueles que podem nos retribuir. Ele instrui o contrário, cuidar dos mais infortunados e de forma desinteressada. Assim não faríamos esperando algo em troca, mas por amor.
Com isso, podemos fazer uma pergunta para nós mesmos: sabemos acolher Jesus nos pobres, nestes mesmos pobres que Deus ama? Ou ignoramos aqueles necessitados que sempre nos pedem ajuda?
Olhemos um pouco para a Campanha da Fraternidade deste ano “Fraternidade e Moradia” que denuncia a falta de uma moradia digna, uma realidade que infelizmente atinge milhões de pessoas. Com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14), a Igreja do Brasil recorda que Ele não veio somente nos visitar, mas escolheu habitar conosco.
Se Deus quis “morar entre nós”, somos também chamados a olhar com sensibilidade para aqueles que muitas vezes não têm sequer um lugar digno para morar. Assim, reconhecer Cristo nos pobres significa também comprometer-nos com a dignidade de cada pessoa humana, especialmente daqueles que vivem em situações de maior vulnerabilidade. Aquele que nasceu sem lugar na hospedaria continua hoje presente naqueles que ainda não têm um lugar digno para viver.
Ver Jesus no próximo significa amá-lo, ajudá-lo e fazer de tudo para que ele possa ter uma vida digna, pois é o próprio Cristo que se faz presente naquele nosso irmão ou irmã. Busquemos meditar o que o Apóstolo João diz na sua primeira carta: “quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não se vê.” (1 Jo 4,20).
A pobreza da pessoa humana não se limita à dimensão material, uma vez que abrange todas as realidades que denigrem a sua dignidade. Vemos isso acontecendo no Oriente Médio, com as guerras que lá acontecem frequentemente. Famílias tendo que fugir e perdendo tudo o que tinham; crianças crescendo nos sofrimentos e nos medos que trazem as guerras. Devemos encontrar Jesus também nessas pessoas desalojadas.
Cristo viveu nossa maior pobreza: a morte. Muitos dos nossos irmãos e irmãs passam por isso durante esses conflitos. Isso levanta questionamentos. O que nós como “Igreja em saída”, como dizia Papa Francisco, podemos fazer para diminuir estes conflitos?
Somente quando aprendermos a reconhecer Cristo nos pobres, nos que sofrem e nas vítimas da violência, poderemos verdadeiramente construir um mundo mais fraterno, onde a dignidade de cada pessoa humana seja respeitada.
Referências Bibliográficas:
LEÃO XIV, Papa. Dilexi te – Exortação apostólica sobre o amor para com os pobres. Cidade do Vaticano, 4 out. 2025.
Autor: Júlio César Moreira Silva – 1° ano do Discipulado
