Por pe. Josué Augusto:
A celebração da Epifania do Senhor é motivo de alegria para todo o mundo! Esta solenidade celebrada no Tempo do Natal comemora um motivo de augúrio aberto a todos os povos: o Menino-Deus, esperado por Israel como seu salvador, o é não apenas para aquela porção de povo, mas para todos os povos! É uma comemoração inclusiva, e não excludente, e, por isso, promotora de uma grande comunhão!
A primeira leitura, do Livro do Profeta Isaías (60,1-6), introduz a missão daquele povo que se identifica com Jerusalém. Não viverão esta alegria sozinhos, não se trata de um júbilo individualista, mas devem brilhar para o mundo, para fazer ver a glória de Deus. Num mundo envolvido em trevas, devem brilhar para conduzir a este Salvador: “Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora” (Is 60,3). Este é motivo de ficar “radiante, com o coração vibrando e batendo forte” (Is 60,4ab).
No Evangelho (Mt 2,1-12), reis (magos) vindos de nações pagãs, de crença, costumes e cultura diferentes das do povo de Israel, são conduzidos pela luz de uma estrela – de brilho e presença diferenciados – até Aquele que, na sua fragilidade recém-nascida, é revelado como detentor de todo poder e glória. Deus usa daquilo que, no horizonte de sabedoria daqueles povos pagãos, era possível para conduzí-los ao seu Filho, o Verbo Encarnado que resolvera armar sua tenda entre nós. Eram astrólogos, e o brilho de um astro diferenciado conduziu-os ao grande Astro do qual emana toda Luz!
Levam a Jesus, Menino-Deus, presentes: ouro, incenso e mirra. Nestes presentes, podemos sondar significados que dizem sobre este Pequenino. O ouro, metal nobilíssimo, diz da sua realeza. O incenso, que ainda hoje costumamos queimar para que seu bom odor subam junto às nossas orações e sejam recebidas de bom grado, representa um dos atributos de Jesus: Ele é divino; na nossa fé professada, é Um com o Pai e o Espírito, é o próprio destinatário das orações que sobem juntas ao incenso. A mirra aponta para o atributo da humanidade real de Jesus, é Deus e homem, e já aponta – no conjunto do Evangelho – para a Paixão redentora que Ele, como Salvador, é capaz de realizar, e já realizava a partir dali, com sua Encarnação, admirável intercâmbio. Aquele que estava enrolado em faixas no nascimento também o estaria em sua morte, uma das situações em que a mirra é utilizada para o embalsamamento de corpos.
Os reis pagãos prostram-se em adoração diante daquele que, na fragilidade de sua humanidade, reconhecem como rei divino! Ora, povos pagãos prostram-se diante do Menino Jesus e o reconhecem. Ele revela-se também a eles e os associa como destinatários da missão a que veio! São Paulo, dito Apóstolo dos Gentios, que mais tarde sai a evangelizar os povos pagãos – povos que não professavam a fé de Israel -, diz de forma direta o que nos textos anteriores vislumbramos sob os símbolos. Na segunda leitura (Ef 3,2-3a.5-6), afirma: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho” (v.6).
Irmãos, diante disso, somos interpelados: vislumbramos a clareza da luz desta estrela? Ela desaloja-nos de nós mesmos e envolve-nos no mistério de Jesus Cristo, Salvador e Redentor? Produz em nós sentimento de pertença a esta Comunhão sublime no Corpo de Cristo? Faz-nos reconhecer que também aos outros, que a nós parecem estranhos, ela também quer provocar o coração vibrante e radiante, que bate forte, por ver-se também chamado à Unidade com este mistério sublime?
Na Epifania somos convidados a alegrar-nos no reconhecimento de que – fora da fé judaica – fomos também nós incluídos no plano salvador de Deus! Mais: somos convidados a radiar pelo fato de que outros tantos, diferentes de nós, também o foram! Precisamos acolher a salvação e praticar a misericórdia de reconhecer nossos irmãos destinatários da mesma felicidade: somos amados e quistos por Deus. A luz da estrela que brilha para todos os povos ilumine as trevas de nossos corações e permita-nos abrir-nos a tão valiosa graça: a universalidade da salvação!
Autor: Pe. Josué Augusto Teodoro dos Santos – Reitor do propedêutico
