Por Darlan Almeida:
E assim, contemplando o mistério que se aproxima, nosso coração é convidado a entrar em silêncio, como quem adentra um santuário, pois eis que uma luz fulgura em meio a noite escura. O Advento, que lentamente foi abrindo em nós espaço para a vigilância e para a conversão, agora desvela seu ápice: o Deus que vem, o Deus que se faz próximo, o Deus que assume nossa carne e nossa história.
A liturgia do quarto domingo do Advento aprofunda ainda mais esta expectativa, conduzindo-nos passo a passo ao coração do Natal. A primeira leitura (Is 7,10-14) renova a grande promessa: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”. É a visita da esperança em meio ao medo, o sinal da fidelidade divina em tempos de incerteza. A profecia ressoa como luz que rompe a noite e confirma ao povo: Deus não abandona sua aliança.
O salmista, no Sl 23, entoa com alegria: “O Rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que Ele possa entrar!”. É a convocação a que abramos não apenas as portas das cidades antigas, mas, sobretudo as portas do coração, para que o Senhor encontre morada em nós. É o clamor da alma que deseja acolher a presença do Senhor que vem.
Na segunda leitura, na carta de São Paulo os romanos (Rm 1,1-7), recorda-nos que este anúncio não é uma ideia abstrata, mas “o Evangelho de Deus acerca de seu Filho”, prometido pelos profetas e agora revelado em plenitude na Encarnação do Verbo. Paulo proclama que Jesus é descendente de Davi segundo a carne, mas Filho de Deus com poder, pela ressurreição dos mortos. Assim, a liturgia nos insere na grande corrente da fé que atravessa os séculos, e nos lembra que também nós fomos chamados à santidade por meio d’Aquele que vem.
E, finalmente, o Evangelho de Mateus (Mt 1,18-24) nos introduz no íntimo do mistério da Encarnação, agora pelo olhar de José. Homem justo, silencioso, prudente, é ele quem recebe do anjo o anúncio de que o menino gerado em Maria vem pela força do Espírito Santo. A liturgia nos faz contemplar a fé madura e obediente de José, que, ao despertar do sonho, acolhe Maria e acolhe também o desígnio de Deus. Nele aprendemos que a fé verdadeira é confiança que age, é entrega que abraça a missão mesmo entre dúvidas e temores.
Assim, toda a liturgia deste domingo converge para um único ponto: Deus está vindo ao encontro da humanidade, e não de modo distante ou simbólico, mas fazendo-se carne, história, presença viva entre nós. O Emanuel, Deus conosco, aproxima-se para transformar o mundo a partir da humildade de um presépio.
Que esta proximidade do Natal desperte em nós um espírito novo: o desejo de acolher o Cristo que vem, não como um hóspede passageiro, mas como Senhor da nossa vida, Rei da glória que quer habitar em nós. Que, movidos pela docilidade de José, possamos abrir nossas portas interiores e deixar que o Verbo encontre espaço para nascer em nossos corações.
Autor: Darlan Luciano de Almeida- 3° ano da Configuração.
