Por Welliton Sousa
Ao contemplarmos o sofrimento de nossos irmãos e irmãs, somos convidados a reconhecer o rosto de Cristo que habita em cada um deles. Neste mês de fevereiro, damos início à série de reflexões à luz da “DILEXI TE” sobre o amor para com os pobres, a primeira Exortação Apostólica do Santo Padre, o Papa Leão XIV.
Na sociedade turbulenta em que vivemos, onde os grandes crescem cada vez mais e os pequenos acabam “sumindo”, temos que nos lembrar e refletir sobre algo que pode passar despercebido em nossas vidas: o amor de Deus para conosco, especialmente nos pequenos. “EU TE AMEI” (Ap 3,9): essa é a tradução do nome do documento que estamos refletindo.
Diante de todos os nossos sofrimentos e dificuldades, devemos ter a capacidade de olhar para além do simples fato presente e voltar nosso olhar para o Eterno, a fim de que nosso coração se conforte no Senhor; assim perceberemos também que todas essas realidades passam, menos o amor de Deus. Fomos feitos dignos e filhos de um Pai que ama sem limites, que nos ajuda e nos consola; nunca está longe de nós.
Tudo o que temos e somos é fruto deste Amor, um amor que é graça e que vem do alto em nosso socorro, querendo sempre o melhor para nós. Sem essa graça não somos nada. É o que a Sagrada Liturgia nos lembra na Quarta-Feira de Cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou: “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar”. Somos um povo santo e pecador. Sendo assim, peçamos a Deus que, em sua infinita bondade, nos ajude a vencer nossas fragilidades e que nos faça, a cada dia, melhores, pois sozinhos podemos pouco, quase nada.
Criados à imagem e semelhança de Deus, nós, homens, somos revestidos de uma dignidade tão alta que dinheiro nenhum consegue comprar. E não é diferente com os mais necessitados, que dependem mais de recursos materiais, culturais e sociais. É tão triste passar por uma cidade mais desenvolvida e se deparar com inúmeras pessoas sem um lar para morar, uma questão tão básica e necessária que ainda não é possível para muitos. Caso caminhemos pelos centros desses lugares, vamos nos deparar com pessoas passando fome e implorando por ajuda, às vezes dias sem se alimentar e com sua higiene pessoal comprometida.
Diante desses exemplos, compreendemos que existem várias outras pessoas nesse estado pelo mundo afora. Daí surge um grande problema: ao nos depararmos com semelhantes situações, não devemos jogar as soluções como se fossem uma bola de vôlei, passando de um para o outro. Devemos tomar a iniciativa de ajudar naquilo que nos é possível, fazendo a nossa parte como verdadeiros cristãos, em busca de realizar sempre o que está no coração de nosso Mestre.
O Santo Padre escreve de forma clara e objetiva, dizendo que o exercício da caridade vem sendo desprezado ou ridicularizado, como se fosse algo ao qual somente alguns são chamados, e não uma missão eclesial que pertence a todos. E exorta ainda que devemos ler novamente o Evangelho que Cristo nos deixou, para não o substituir pela mentalidade mundana. “Se não quisermos sair da corrente viva da Igreja, que brota do Evangelho e fecunda cada momento histórico, não podemos esquecer os pobres.” (DT, n. 15).
Retomando o pedido de nosso Papa, devemos então fazer com que a leitura dos Sagrados Evangelhos seja encarnada e cada vez mais praticada em nossa vida, para que possamos ser verdadeiros discípulos na atualidade, e não meros fariseus. Mais um versículo que nos ilumina ao falar das atuais necessidades é este grande pedido de Jesus: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16).
Este ano temos a oportunidade de meditar, juntamente com o caminho quaresmal, a Campanha da Fraternidade, que vem com um tema relacionado à pobreza e, de forma mais específica, à moradia: Fraternidade e Moradia, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Como foi escrito no início, a moradia, a necessidade de um lar, é essencial para nossa sobrevivência e é um direito de todos. Porém, são poucos os que a têm e, quando a têm, é em um estado ou qualidade deplorável.
O rosto misericordioso de Cristo podemos encontrá-lo nos pobres e necessitados; Ele se faz presente neles. Que possamos ler e meditar a sua Palavra e colocá-la em prática, fazendo com que aquilo em que acreditamos e professamos seja vivido concretamente. Não no sentido de mostrar aos outros que estamos ajudando ou que somos pessoas “boazinhas”, mas para que, ajudando o irmão, isso seja fator de mudança em nosso próprio ser, fazendo a diferença sem nos vangloriar, pois o nosso “prêmio” não o recebemos aqui na terra.
Sendo assim, que possamos compreender o que Cristo realmente nos pede e não focar em ideologias que vão surgindo. Temos um grande exemplo a ser seguido e um caminho a trilhar: o do amor, da justiça e da paz.
Referências Bibliográficas:
LEÃO XIV, Papa. Dilexi te – Exortação apostólica sobre o amor para com os pobres. Cidade do Vaticano, 4 out. 2025.
Autor: Welliton Sousa de Oliveira – 1° ano do Discipulado
